Visita de grego

Visita de grego

Bip, biiiiiiiiiiiiip. Ela sabe que já dei janta pra molecada, mandei escovar os dentes, botei na cama… Amanhã é segundona, pô. Vou atender da janela. – Oi, Tica! Vocês estão em casa, que bom! – É, né, que coisa. Quem diria que se encontraria alguém em casa no domingo, às 21h34… Que surpreendente… Difícil mesmo eu estar em casa neste horário. – Achei que você podia ter saído com os meninos. Fez um dia tão lindo! – Fez, né? Quando…

Read More Read More

Fim de papo

Fim de papo

– Entendeu, né? – Está claro, somos superiores. – Isso! – O mundo é nosso. Mandamos e desmandamos como quisermos. Mesmo que eu não consiga coçar minhas costas. – Pra que coçar as costas? Os pequenos se curvam a você, faça com que cocem! – Boa! Depois, peço que palitem meus dentes também. – Oi? – É que eu não alcanço minha boca. – Para com isso! Com dentes desse tamanho, até cárie foge de medo! – Isso é verdade….

Read More Read More

O jantar

O jantar

– Quem canta mesmo aquela música da menina que tem a pose exata para fotografar? As mãos dela firmes em cima da mesa. O garfo e a faca continuam no mesmo lugar. Desde que viu aquilo, sabia que teria que fazer algo. Só não sabia como. E ele falava com um sorriso. Não notou. As mãos dele desenham no ar cada palavra. Aquele sobrenome esquisito deve ser mesmo italiano. O anel do dedo do meio da mão direita acompanha o…

Read More Read More

Costura perfeita

Costura perfeita

Ela queria simetria, era exigente assim. Se conseguia ao pregar os botões da camisa do pai, era só aplicar a mesma técnica nos olhos do gafanhoto. Deixou para costurar os dois depois do almoço, quando a luz era melhor na saleta de trabalho. Usou a fita métrica da mãe para ajustar as posições. Foi quando percebeu que, por serem menores do que botões, olhos exigiam mais sutileza. E as asas do gafanhoto atrapalhavam um pouco, não paravam, faziam cócegas na…

Read More Read More

Eu queria ser um guarda-chuva

Eu queria ser um guarda-chuva

Já me decidi, vou acompanhar esse senhor. Ele é fechado, não sorri, mas anda devagar, com dificuldade, não consegue fugir da chuva. E a vida teria sido mais simples se eu apenas tivesse protegido meus donos anteriores da chuva. Quando Jonas Hanway me criou, foi isso que ele sonhou para mim. Porém, fomos ridicularizados. Uma hora, perceberam que estavam errados e decidiram criar mais de mim para usar na chuva; todavia, quando isso aconteceu, meu criador já tinha morrido. E…

Read More Read More

A Istambul de Teresa

A Istambul de Teresa

Ué? Todo mundo naquele canto do mundo não era obrigado a usar burca? Então, cadê as outras mulheres cobertas da cabeça aos pés? Teresa parecia ser a única. O povo na Praça Taskim mesmo esqueceu que devia estar de burca. Riam dela por dentro, ela podia sentir. Droga, ela quase nunca saía de casa, mas amava a ideia de viajar. Arriscou-se a ir para Istambul com Umbra justamente porque, lá, ela poderia se cobrir e se sentir enturmada. Ninguém veria…

Read More Read More

A instalação

A instalação

84 potes de vidro dispostos em forma de pirâmide no centro da mesa. Foram algumas horas de trabalho, limpando um a um, tirando as manchas, secando, admirando os itens hermeticamente protegidos de sua coleção. A base desta pilha nova era quadrada, 7 por 7. Arturo acreditava que sete era o número da perfeição. E uma pirâmide com base 7 x 7 dava força à criação. (“Ter usado um número par de potes ajudou.”) Admirando sua obra, ele sentia a energia…

Read More Read More

Noite de pizza

Noite de pizza

“O de sempre” não bastava. Ainda que fosse o mesmo garçom toda vez, o pai e a mãe tinham que explicar que a pizza era de catupiry, mas sem molho. Isso, sem molho. Não, nem um pouquinho. A filha era muito peculiar quando se tratava de seus pratos. No caso da pizza de catupiry, tinha que ter o número certo de azeitonas (oito, uma para cada pedaço), tinha que ter orégano (pouco, para não matar o sabor), massa como toda…

Read More Read More