Separando o joio do trigo

Separando o joio do trigo

Sucesso. Tô naquela pegada de “Tendo a Lua”, no melhor estilo Paralamas, e vou jogar tanta coisa fora. Verei o meu passado passar por… Ixi, agora, essa santa dessa música grudou na minha cabeça. Cadê o CD dela? É joio, tem que ir pra caixa de “vai embora”.

Nessas horas de arrumação obrigatória autoimposta, que vêm num momento de lapso agudo de lucidez por volta de uma vez por ano, eu sempre me pergunto por que catzo eu tenho tanta tralha. Não, a resposta iluminada nunca vem. Esse ano não será diferente. Até porque a dúvida chega acompanhada de mim sendo encoberta por grande parte dessa porcariada toda, e eu preciso parar de pensar nisso pra não me afogar nela.

Camisetas. Quantas vezes eu efetivamente usei camisetas de bandas no último ano? Passamos de 1995 há mais de 20 anos. Por que eu guardo isso? Camisetas furadas. Não, com quase 40 nas costas, não dá pra continuar remendando. Camiseta pequena demais, grande demais, fora de moda, nunca esteve na moda, tie dye feito pelo filho no jardim de infância… Só tira isso tudo aí. Não dá.

Calças. Boca de sino? Para, né? Rasgada vai pra caixa das camisetas de bandas. Essa, o zíper até quebrou de tão ridiculamente pequena. Será que eu coube nisso aí um dia? Essa aqui é da gravidez. Porra, o Thales já tem 18, e essa coisa samba na minha cintura. Não faz sentido guardar.

Meias. Essas sem par e essas furadas vão pra doação ou deixo pra cachorra? Bom, ela gosta mesmo é de meia usada, não sei se vai curtir as limpas. E eu li em algum lugar que meias são o item menos doado e, portanto, mais necessário. Tá, sem par, eu doo – vai que tem algum descolado ou um perneta que vão curtir. As furadas, uso um pouco pra ficarem com meu cheirinho e, depois, dou pra cachorra.

DVDs. Oi, eu ainda tenho DVDs? Mas eu nem tenho mais onde ver. Acho que nem vou perder tempo olhando. Só virar a gaveta toda na caixa pra doação.

Livros. Sério que eu vou mexer nisso? Tem livro a dar com pau. Mas, já que estamos aqui, coragem, começando, vambora. Paulo Coelho? Eita, como que isso entrou aqui? Vai pro lixo reciclável, porque eu me recuso a passar adiante como livro. Sou dessas. Livros infantis? Ah, posso falar? Amo. Vão ficar. Anuário da turma de Jornalismo de 2000? Não, eu só me formei em 2001. Esse nem é da minha turma. Doação. Livros com notas pra vestibular, livros técnicos da faculdade – todos serão melhor aproveitados por estudantes. Tchau.

Caraca, olha só. Vagou uma prateleira de livros. Ah, que beleza! Eu vi uma promoção na Saraiva online esses dias, tem uns livros novos que eu tô querendo. É bem verdade que me prometi só comprar novos quando acabasse de ler os velhos. Só que, poxa, tem uma prateleira inteira vazia. I-N-T-E-I-R-A-M-E-N-T-E livre. Cadê meu celular?

– Filha, tem uma prateleira de livros sobrando? Que beleza, vou trazer minha bíblia e meus santos.

Ai, meu Deus. Não! Será que devolvo o Paulo Coelho ali antes? Não sei qual é o sacrilégio maior de manter do lado do meu Antônio Prata!
(Não me julga, eu já disse que vou pro inferno, né?)

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