Mãe de gente, mãe de cão

Mãe de gente, mãe de cão

Sempre defendi que ser mãe tem muito a ver com ser chefe. Veja: você fomenta o melhor no serumaninho, dá apoio, entende que o serumaninho precisa de espaço pra crescer, deixa (com cautela) o serumaninho quebrar a cara quando ele não te ouve, mostra limites, mas também escuta e aprende com o serumaninho. Tiro muito da minha liderança pra usar como mãe, tiro muito da maternidade para usar no trabalho. Costuma funcionar.

Eis que Aveia (À Toa) entrou em nossas vidas. Golden, linda, uma criança peluda e de quatro patas. Ora, se dá certo com filho e com equipe, pode dar certo com cães, certo? Hum… Think again.

Diferença #1: com o serumaninho homo sapiens, você conversa. Em tese (muito em tese), o sujeito te ouve e, às vezes, até assimila uma coisica ou outra. Com o catiorríneo, você pode falar até ficar azul. Não rola!

Leve em consideração que seu dog entende, em média, 165 palavras. Você gasta mais de 165 em um sermão, mas a maioria não é das palavras que ele costuma entender (comandos, como “vem”, “não”, “senta”…) Conversar é ineficiente e, conforme ele não te entende, você vai surtar e ser o descompensado gritando com um bichinho assustado.

Diferença #2: o bípede é convidado e incentivado a explorar os espaços solto sem grandes problemas. Se você botar seu pequeno na coleira, o povo vai te olhar esquisito no shopping. Se for um funcionário, tenho quase certeza de que haverá implicações jurídicas.

Agora, quando seu tutoriado quadrúpede explora, se prepare: tem gente correndo de medo, te chamando de irresponsável, te ameaçando caso seu cão mate o gato dele (não estranhe, já aconteceu).

Diferença #3: tem pai e mãe que vão discordar de mim, mas, a meu ver, só um dos dois tipos pode fazer xixi no meio da rua – os canídeos. Gente, vou jogar a real pra vocês: deixar seus moleques fazerem xixi na rua pode ser o motivo pelo qual homens crescidos não conseguem segurar as calças no lugar para conter necessidades (básicas ou nem tanto). Pensem a respeito. Reflitam de coração aberto.

Falando das equipes e colegas de trabalho, acredito ser ponto pacífico – xixi no corredor da firma não é legal.

Diferença #4: Essa tem mais a ver com como o mundo encara seus rebentos. Para as crias humanoides, a maioria segura o tchan na hora de falar de aparência. Ninguém te para na rua pra dizer que teu filho está feio, por exemplo. Ninguém critica (nem deveria criticar) o cabelo despenteado de um funcionário (em especial, se ele for bom no que faz e não fizer xixi no corredor).

Porém, por algum motivo que me foge à compreensão, as pessoas de todos os shapes e sizes, acham ok te parar para dizer que sua cachorra tá gorda. Assim, primeiramente, Fora Temer não é da sua conta. Segundamente, a vet dela disse que ela tá bem. Terceiramente, vá caçar sapo!

Independente do filho, minha resposta é o momento em que acabam as diferenças e entra a semelhança: que tal cuidar da sua própria vida?

Verdade seja dita, isso dá um nó na cabeça às vezes. Se, no meio desse turbilhão, você, como eu, se pegar latindo com seu filho, conversando com sua cachorra e dando a pata para a equipe, tudo bem. Faz parte. Você e eu somos normais. Não?

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